
VisãoHack

48 horas ensinando UX pra quem nunca tinha parado pra pensar no usuário
48 horas ensinando UX pra quem nunca tinha parado pra pensar no usuário


Papel
Mentor - UX Designer / Palestrante
Contexto
Hackathom tech promovido pelo estado do amazonas
Ano
2021
Outubro de 2021. Casarão da Inovação Cassina, Manaus. 40 pessoas selecionadas entre 900 inscritos, divididas em 9 times. O desafio: 48 horas pra criar soluções que resolvessem problemas reais de mobilidade urbana da cidade. O prêmio: ver suas ideias virarem protótipos funcionais que o Instituto de Mobilidade Urbana (IMMU) poderia implementar de verdade.
Eu estava lá não pra competir. Estava pra garantir que essas soluções não fossem só tecnicamente viáveis, mas realmente úteis.
Outubro de 2021. Casarão da Inovação Cassina, Manaus. 40 pessoas selecionadas entre 900 inscritos, divididas em 9 times. O desafio: 48 horas pra criar soluções que resolvessem problemas reais de mobilidade urbana da cidade. O prêmio: ver suas ideias virarem protótipos funcionais que o Instituto de Mobilidade Urbana (IMMU) poderia implementar de verdade.
Eu estava lá não pra competir. Estava pra garantir que essas soluções não fossem só tecnicamente viáveis, mas realmente úteis.
O cenário antes de começar
Manaus tem um problema sério de mobilidade. Trabalhadores perdiam em média 3 a 4 horas por dia presos no trânsito. Na Zona Leste, a situação era tão crítica que micro-ônibus amarelos, os famosos "amarelinhos" surgiram como solução provisória e acabaram virando parte permanente do sistema. Porque quando a solução oficial não funciona, as pessoas criam a própria.
O IMMU queria mudar isso. Trouxe três desafios principais pro hackathon:
Manaus tem um problema sério de mobilidade. Trabalhadores perdiam em média 3 a 4 horas por dia presos no trânsito. Na Zona Leste, a situação era tão crítica que micro-ônibus amarelos, os famosos "amarelinhos" surgiram como solução provisória e acabaram virando parte permanente do sistema. Porque quando a solução oficial não funciona, as pessoas criam a própria.
O IMMU queria mudar isso. Trouxe três desafios principais pro hackathon:

Desafio 1:
Melhorar a mobilidade de pessoas com deficiência através da sincronização de semáforos
Melhorar a mobilidade de pessoas com deficiência através da sincronização de semáforos

Desafio 2:
Desafio 2:
Desenvolver o app "Cadê meu ônibus" informação em tempo real sobre transporte público
Desenvolver o app "Cadê meu ônibus" informação em tempo real sobre transporte público

Desafio 3:
Desafio 3:
Criar sistema de sinalização urbana mais eficiente

Desafio 1:
Melhorar a mobilidade de pessoas com deficiência através da sincronização de semáforos

Desafio 2:
Desenvolver o app "Cadê meu ônibus" informação em tempo real sobre transporte público

Desafio 3:
Criar sistema de sinalização urbana mais eficiente
Três dias. Nove times. Programadores, desenvolvedores, designers e empreendedores que nunca tinham trabalhado juntos antes.
E a maioria nunca tinha ouvido falar de UX.
Três dias. Nove times. Programadores, desenvolvedores, designers e empreendedores que nunca tinham trabalhado juntos antes.
E a maioria nunca tinha ouvido falar de UX.


Ensinando UX em tempo recorde
Ensinando UX em tempo recorde


Antes do hackathon começar oficialmente, eu tinha uma missão: ensinar 40 pessoas a pensar em usuário em menos de 4 horas. Dois workshops. Um sobre Design Thinking e Double Diamond, outro sobre boas práticas de UX e prototipagem.
O desafio era real: como você ensina alguém que passa o dia escrevendo código ou pensando em arquitetura de sistema a parar e perguntar "mas o usuário vai entender isso?"
Decidi focar no prático. Nada de teoria sem aplicação.
Workshop 1 (2 horas): Design Thinking e Double Diamond
Mostrei como estruturar o processo criativo em fases claras: descobrir o problema real, definir o que atacar, desenvolver soluções, entregar protótipos. Usei exemplos de Manaus mesmo, tipo os amarelinhos. Por que eles existem? Porque a solução oficial não atendeu a necessidade real. Qual era a necessidade? Não era "mais ônibus", era "chegar mais rápido em horário de pico". Diferente.
Workshop 2 (1h30): Boas práticas de UX e prototipagem rápida
Aqui entrei em heurísticas de Nielsen, acessibilidade, e como prototipar rápido pra testar rápido. Mostrei que protótipo não precisa ser bonito, precisa funcionar pra validar se a ideia resolve o problema.
Antes do hackathon começar oficialmente, eu tinha uma missão: ensinar 40 pessoas a pensar em usuário em menos de 4 horas. Dois workshops. Um sobre Design Thinking e Double Diamond, outro sobre boas práticas de UX e prototipagem.
O desafio era real: como você ensina alguém que passa o dia escrevendo código ou pensando em arquitetura de sistema a parar e perguntar "mas o usuário vai entender isso?"
Decidi focar no prático. Nada de teoria sem aplicação.
Workshop 1 (2 horas): Design Thinking e Double Diamond
Mostrei como estruturar o processo criativo em fases claras: descobrir o problema real, definir o que atacar, desenvolver soluções, entregar protótipos. Usei exemplos de Manaus mesmo, tipo os amarelinhos. Por que eles existem? Porque a solução oficial não atendeu a necessidade real. Qual era a necessidade? Não era "mais ônibus", era "chegar mais rápido em horário de pico". Diferente.
Workshop 2 (1h30): Boas práticas de UX e prototipagem rápida
Aqui entrei em heurísticas de Nielsen, acessibilidade, e como prototipar rápido pra testar rápido. Mostrei que protótipo não precisa ser bonito, precisa funcionar pra validar se a ideia resolve o problema.
48 horas de mentoria intensiva

Quando o hackathon começou de verdade, meu papel mudou. Eu não era mais instrutor. Era consultor ativo dentro dos times.
Alguns times alugaram apartamentos perto. Outros voltavam pra casa de madrugada e voltavam cedo. Outros montaram coxonetes no próprio Casarão e ficaram lá os três dias direto. A competição era acirrada demais pra desperdiçar tempo com deslocamento.
Eu circulava entre os grupos. Quando via um time travado, sentava com eles. Quando via uma solução tecnicamente incrível mas completamente inutilizável, intervinha.
Um momento que marcou:
Um dos times estava criando um app pra informar horários de ônibus em tempo real. A interface tava cheia de informações: horário previsto, horário real, localização do ônibus no mapa, linha, número da frota, tempo estimado de chegada, próximas paradas... Tudo junto na mesma tela.
Sentei com eles e perguntei:
Quando o hackathon começou de verdade, meu papel mudou. Eu não era mais instrutor. Era consultor ativo dentro dos times.
Alguns times alugaram apartamentos perto. Outros voltavam pra casa de madrugada e voltavam cedo. Outros montaram coxonetes no próprio Casarão e ficaram lá os três dias direto. A competição era acirrada demais pra desperdiçar tempo com deslocamento.
Eu circulava entre os grupos. Quando via um time travado, sentava com eles. Quando via uma solução tecnicamente incrível mas completamente inutilizável, intervinha.
Um momento que marcou:
Um dos times estava criando um app pra informar horários de ônibus em tempo real. A interface tava cheia de informações: horário previsto, horário real, localização do ônibus no mapa, linha, número da frota, tempo estimado de chegada, próximas paradas... Tudo junto na mesma tela.
Sentei com eles e perguntei:
"Quando você tá no ponto esperando o ônibus debaixo de sol, o que você REALMENTE quer saber?"
Silêncio.
"Falta quanto tempo."
Refizemos a interface. Uma tela. Um número grande. "Seu ônibus chega em 8 minutos." O resto da informação ficou acessível, mas secundário. A solução ficou usável.
Silêncio.
"Falta quanto tempo."
Refizemos a interface. Uma tela. Um número grande. "Seu ônibus chega em 8 minutos." O resto da informação ficou acessível, mas secundário. A solução ficou usável.
O que saiu dali
O que saiu dali


Depois de 48 horas sem parar, os times apresentaram as soluções pro júri.
A equipe Aruanã levou o primeiro lugar. A Z-index ficou em segundo. A EnergTech em terceiro.
Mas o que me marcou mais não foi quem ganhou. Foi ver soluções que realmente pensavam no usuário final.
Um time criou um sistema que sincronizava semáforos detectando pedestres com mobilidade reduzida e aumentava automaticamente o tempo de travessia. Simples. Direto. Resolvendo uma dor real.
Outro time ( e esse eu vi nascer como startup depois ) criou um sistema bancário que usava criptomoeda como dinheiro transacional, convertendo pra outras moedas quando necessário. A ideia era facilitar transações rápidas sem depender de infraestrutura bancária tradicional.
Todas essas soluções passaram pelo filtro de UX que a gente trabalhou nos workshops. Nenhuma era perfeita, mas todas faziam sentido pra quem ia usar.
Depois de 48 horas sem parar, os times apresentaram as soluções pro júri.
A equipe Aruanã levou o primeiro lugar. A Z-index ficou em segundo. A EnergTech em terceiro.
Mas o que me marcou mais não foi quem ganhou. Foi ver soluções que realmente pensavam no usuário final.
Um time criou um sistema que sincronizava semáforos detectando pedestres com mobilidade reduzida e aumentava automaticamente o tempo de travessia. Simples. Direto. Resolvendo uma dor real.
Outro time ( e esse eu vi nascer como startup depois ) criou um sistema bancário que usava criptomoeda como dinheiro transacional, convertendo pra outras moedas quando necessário. A ideia era facilitar transações rápidas sem depender de infraestrutura bancária tradicional.
Todas essas soluções passaram pelo filtro de UX que a gente trabalhou nos workshops. Nenhuma era perfeita, mas todas faziam sentido pra quem ia usar.
Aprendizado em todos os níveis
Aprendizado em todos os níveis


Facilitador de UX em hackathon é diferente de ser designer em projeto normal. O tempo é brutalmente curto. As pessoas estão cansadas. A pressão é alta. E você precisa ensinar conceitos que normalmente levariam semanas em questão de horas.
Tive aprendizados como:
Ensinar UX em formato intensivo funciona melhor quando é prático e contextualizado. Teoria sem aplicação imediata não cola. Eu usava exemplos reais de Manaus, problemas que eles conheciam, pra mostrar como UX resolve.
Mentorar ativamente é mais eficaz que esperar ser chamado. Eu circulava, observava, intervinha quando via oportunidade. Muitas vezes o time nem sabia que tinha um problema de UX até eu apontar.
Tempo curto força priorização, e isso é bom. Com 48 horas, ninguém tem tempo pra enfeitar. Você vai direto pro que importa. Isso obriga os times a pensarem: "qual o problema principal?" e "como resolvo isso do jeito mais simples possível?"
Nem tudo que eu tentei ensinar funcionou no formato hackathon. Algumas metodologias são longas demais. Persona detalhada? Não rola. Jornada completa do usuário? Impossível. Mas princípios básicos entender a dor, testar rápido, simplificar esses entraram.
A combinação de tecnologia e design centrado no usuário transforma problemas complexos em soluções reais. Vi isso acontecer em tempo real. Times que no começo queriam fazer "o app mais completo possível" terminaram fazendo "o app que resolve UMA coisa muito bem".
Facilitador de UX em hackathon é diferente de ser designer em projeto normal. O tempo é brutalmente curto. As pessoas estão cansadas. A pressão é alta. E você precisa ensinar conceitos que normalmente levariam semanas em questão de horas.
Tive aprendizados como:
Ensinar UX em formato intensivo funciona melhor quando é prático e contextualizado. Teoria sem aplicação imediata não cola. Eu usava exemplos reais de Manaus, problemas que eles conheciam, pra mostrar como UX resolve.
Mentorar ativamente é mais eficaz que esperar ser chamado. Eu circulava, observava, intervinha quando via oportunidade. Muitas vezes o time nem sabia que tinha um problema de UX até eu apontar.
Tempo curto força priorização, e isso é bom. Com 48 horas, ninguém tem tempo pra enfeitar. Você vai direto pro que importa. Isso obriga os times a pensarem: "qual o problema principal?" e "como resolvo isso do jeito mais simples possível?"
Nem tudo que eu tentei ensinar funcionou no formato hackathon. Algumas metodologias são longas demais. Persona detalhada? Não rola. Jornada completa do usuário? Impossível. Mas princípios básicos entender a dor, testar rápido, simplificar esses entraram.
A combinação de tecnologia e design centrado no usuário transforma problemas complexos em soluções reais. Vi isso acontecer em tempo real. Times que no começo queriam fazer "o app mais completo possível" terminaram fazendo "o app que resolve UMA coisa muito bem".
O impacto real
O impacto real
Algumas das soluções apresentadas no Manaus Vision Hack 2021 foram implementadas depois. Outras viraram startups. Outras ficaram como protótipos, mas plantaram sementes.
Mais importante que isso: 40 pessoas saíram dali pensando diferente sobre como criar produtos. Designers que entenderam que código sem usabilidade não serve. Desenvolvedores que entenderam que tecnologia sem propósito não resolve. Empreendedores que entenderam que solução sem validação com usuário é aposta no escuro.
Participar desse hackathon como facilitador de UX foi uma das experiências mais intensas e gratificantes que já tive. Porque no fim, não era sobre ganhar. Era sobre criar soluções que fizessem diferença real na vida de quem usa transporte público em Manaus todo dia.
E isso, a gente conseguiu.
Algumas das soluções apresentadas no Manaus Vision Hack 2021 foram implementadas depois. Outras viraram startups. Outras ficaram como protótipos, mas plantaram sementes.
Mais importante que isso: 40 pessoas saíram dali pensando diferente sobre como criar produtos. Designers que entenderam que código sem usabilidade não serve. Desenvolvedores que entenderam que tecnologia sem propósito não resolve. Empreendedores que entenderam que solução sem validação com usuário é aposta no escuro.
Participar desse hackathon como facilitador de UX foi uma das experiências mais intensas e gratificantes que já tive. Porque no fim, não era sobre ganhar. Era sobre criar soluções que fizessem diferença real na vida de quem usa transporte público em Manaus todo dia.
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